quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Andebol Entrevistas - Andebol 1 : Sandra Fernandes - Primeira mulher a comandar uma equipa de andebol sénior masculina

Entrevista de Décio Vigia ao site http://modalidades.com.pt/

Sandra Fernandes: ''Sei que entrei na história do andebol''

Ficará com o nome gravado na história do andebol. Sandra Fernandes é a primeira mulher a comandar uma equipa de andebol sénior masculina. O convite foi feito pelo Madeira SAD - após o falecimento da lenda Aleksandre Donner - o qual foi prontamente aceite. Não teme a desconfiança por parte dos próprios jogadores, até porque já conhece muitos deles das selecções regionais. Sandra Fernandes em entrevista ao modalidades.com.pt.

Perfil:
Nome completo: Sandra Marina da Silva Martins Fernandes
Data de Nascimento: 28-05-1972 (41 anos)
Naturalidade: Angola
Clubes (como treinadora): Esposende; CD Bartolomeu Perestrelo; Selecções regionais masculinos e femininos
Títulos: Vencedora nos Jogos das Ilhas; Vice-campeã no inter-selecções; campeã regional em vários escalões

Modalidades.com.pt: É a primeira treinadora a comandar uma equipa sénior de  andebol masculina. Foi difícil aceitar este desafio?
Sandra Fernandes (SF):  Foi difícil e não foi. O convite surgiu numa altura em que vivia ainda a emoção da minha participação no Campeonato da Europa de sub-17 com a selecção de Portugal. Tinha acabado de chegar quando me ligaram. Depois de salvaguardar a minha continuidade no projecto da Federação de Andebol de Portugal, continuando com a selecção que vai participar no Mundial, aceitei o convite, pois a altura era muito complicada para o Madeira SAD face ao trágico acontecimento do falecimento do técnico Donner. Sei que é um desafio muito complicado mas acredito que poderei superar mais este desafio. Vai ser uma época longa e desgastante, mas acredito que possa ter um final feliz.
Sente que já entrou na história do andebol português?
SF: Sei que de alguma forma entrei na história. Mas isso é apenas um momento. Se as coisas não correrem bem, a história é muito breve.
O que significa substituir uma lenda do andebol como Donner?
SF:  É uma honra substituir um treinador como o Donner. É uma grande responsabilidade e vou tentar corresponder às expectativas das pessoas que confiaram em mim.

''A linguagem do andebol é universal''

Como encontrou o balneário após o falecimento deste ícone do andebol nacional?
SF: A equipa viveu um momento muito triste. Foi um choque muito duro, mas é a lei da vida. Tenho a certeza que os jogadores vão trabalhar de forma empenhada durante o dia a dia de forma a dignificar o clube e a Região.
Como está a ser relação com os jogadores?
SF:  Está a ser uma boa experiência. Tenho o respeito deles e a confiança. Estamos numa fase de conhecimento mútuo e de certeza que em breve a relação será ainda mais forte.

Que diferenças encontrou, até agora, na forma de trabalhar dos homens?
SF: Os homens são mais fortes em termos físicos. No resto, a minha forma de trabalhar é sempre a mesma, sejam homens ou mulheres.
Sentiu da parte deles alguma desconfiança por ser mulher?
SF:  Não senti nada de desconfiança. Afinal não sou uma desconhecida para eles. Vi muitos jogos deles durante estes anos todos, alguns até já foram meus atletas em selecções regionais.
Como treinadora, acha que sentirá a necessidade de se adaptar, tendo em conta as características completamente diversas das do andebol feminino?
SF:  Claro que a competição sénior masculina é diferente da que venho tendo pela frente. Tenho trabalhado ao nível de selecções e não em competição regular. Sei que vou adaptar-me e esta fase também me ajudará a crescer enquanto treinadora.

 

''Os objectivos são claros: ficar na 1ª Divisão''

Acredita que pelo facto de ser a primeira mulher a treinar uma equipa sénior masculina, abrirá portas a mais treinadoras do sexo feminino?
SF: Acredito e gostava que tal viesse a acontecer. Sei que, provavelmente, existem outras treinadoras com qualidade e com ambição de mostrar que a linguagem do andebol é universal, não importando ser homem ou mulher.
Consegue apontar outras colegas suas com potencial e que no seu entender mereçam uma oportunidade?
SF: Das pessoas que conheço, a Ana Sobral, que até já orientou o Benfica numa fase da época, é por certo um nome a ter em conta. A Ana Seabra que está a trabalhar ao nível das selecções, poderá a curto prazo também ter essa ambição. Existem ainda outras no mundo do andebol feminino, que tendo uma oportunidade, também a poderão a agarrar.
Quais os objectivos do Madeira SAD para esta época?
SF: Os objectivos são claros: ficar na 1ª Divisão. O momento que se vive no país e em particular na Madeira, não ajuda a que o Madeira SAD tenha outras ambições. Mas queremos mostrar que com jovens formados na Madeira, também é possível competir ao mais alto nível e que num futuro próximo possam ambicionar algo mais.
Que comentário faz à qualificação do FCP-Vitalis para a Champions League?
SF: É um prémio justo para o excelente trabalho que o seu técnico, jogadores e toda estrutura vêm desenvolvendo. É muito bom para o andebol português e será uma grande oportunidade para os amantes da modalidade poderem ver acção alguns dos melhores jogadores que actuam no panorama europeu.

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